quarta-feira, 21 de maio de 2008

Ativando o Mysql no Slackware

Ativando o Mysql no Slackware 10.X e 11.0

Como todos sabem, o Slackware Linux 10.X e 11.0 já trazem em meio a seus pacotes o MySQL.
O pacote vem instalado, mas não ativado.

A seguir segue uma dica rápida de como ativar:


root@slackware:~# sudo mysql_install_db
root@slackware:~# chown mysql.mysql /var/lib/mysql/ -R


"-R" para dar permissão ao usuário mysql sobre o diretório e subdiretórios do diretório).

root@slackware:~# chmod +x /etc/rc.d/rc.mysqld
root@slackware:~# /etc/rc.d/rc.mysqld start


Agora crie uma senha pra acesso ao BD MySQL:


root@slackware:~# mysqladmin -u root password sua_senha


Rápido, prático e simples como o próprio MySQL.

Créditos:
Rodrigo Ribeiro
http://www.vivaolinux.com.br/dicas/verDica.php?codigo=7613

LILO - Configurar tempo de inicialização

Para os iniciantes que não querem perder tempo esperando a contagem regressiva na inicialização so Linux, basta alterar o timeout no LILO.

Veja como:

*logo no linux como root
*entre na pasta /etc
*edite o arquivo lilo.conf

cd /etc
pico lilo.conf

*na linha 8, onde está timeou = 1200, troque para
timeout = 10

* o tempo está em milesegundos, entao 10 é 1 segundo, se vc colocar 1 não irá funcionar...
* agora, tecle CTRL + X p/ fechar e Y para salvar as alterações
* digite agora lilo (se nao digitar não irá salvar as alterações)
lilo

* é isso, simples e prático... boa sorte
By Eder Závoli

sexta-feira, 16 de maio de 2008

NoCatAuth - Construindo um firewall/gateway autenticado

Por Patrick Brandão
http://www.patrick.eti.br
contato@patrick.eti.br

O programa NoCatAuth, criado pela nocat.net tem o propósito de evitar que pessoas não autorizadas tenham acesso a internet em rede wireless. Para isso, esse programa em Perl captura o tráfego na porta 80 e o desvia para um servidor HTTP, onde haverá uma página solicitando usuário e senha, e opcionalmente, uma página para cadastro.

O NoCat também pode ser usado para simplesmente obrigar o usuário a ler uma página de splash antes de navegar, onde se pode colocar um termo de uso, um aviso ou simplesmente a página do provedor de acesso.

O NoCat pode ser configurado para rodar em três modos:
  • OPEN - O tráfego na porta 80 é capturado e redirecionado para uma página de splash, após a página ter sido carregada, o acesso à internet é liberado para o host.
  • PASSIVE - O tráfego dos usuários não autenticados para a porta 80 será capturado, após a autenticação, uma regra de firewall (iptables ou ipchains) permitirá o acesso à internet por meio de NAT.
  • CAPTIVE - Semelhante ao PASSIVE, porém, ao se identificar com sucesso, o acesso à internet será liberado, mas sem NAT.

O NoCatAuth funciona com duas instâncias nos modos PASSIVE e CAPTIVE, uma, NoCat Gateway, e outra NoCat Auth, o Gateway redirecionará o tráfego HTTP para a porta 80 do servidor Auth que após autenticar o usuário, se conectará na porta 5280 do Gateway para dar permissão de passagem ao host. A conexão do servidor Auth na porta 5280 do Gateway é criptografada com PGP para dar suporte a casos em que o servidor Auth tem uma conexão não confiável com o servidor Gateway.

Tomei a iniciativa de escrever este tutorial ao ver que não encontrava, nem no Google, nem na própria página no NoCat, um tutorial que me ensinasse com clareza como se usa este programa.


Objetivo


  • Permitir acesso à internet somente a usuários autenticados;
  • A autenticação terá que ser feita em uma página web e a base de dados deverá ser armazenada em um banco de dados MySQL;
  • Usar HTTPS na página de autenticação;
  • Os hosts devem receber um endereço IP dinâmico e inválido (não roteável);
  • Os usuários devem ter acesso por NAT, que será feito no gateway;
  • Os servidores NoCatAuth e NoCatGateway deverão ser instalados no mesmo computador.

Tecnologias usadas e ambiente de laboratório

  • Linux 2.4.26 (distribuição Slackware 10.0 - instalação FULL)
  • Apache 2.0.50/mod_ssl
  • OpenSSL 0.9.7d
  • GnuPG 1.2.2
  • NocatAuth 0.82
  • MySQL 4.0.20
  • Perl 5.8.4
  • DHCPD 1.3.0pl2
  • BIND 9.2.3
  • IPTABLES 1.2.10

Computador de laboratório:
  • Processador: K6-II 500MHz
  • Memória: 128 MB
  • HD: 15GB ( Particionamento: 1 - 512 MB Swap, 2 - 14200 MB EXT3)
  • Placas de rede: 2 - 3COM (eth0 192.168.150.21, eth1 192.168.10.1)
  • Sistema operacional: Linux Slackware 10.0 (instalação FULL).
  • CDROM 52x

Material mínimo necessário:
Computador com 2 interfaces de rede e drive cdrom/dvdrom, cd de instalação do Slackware 10.0, acesso a internet no momento da instalação (downloads de pendências).


Instalação dos programas

O Slackware 10.0 vem com o Apache 1.3, mas eu particularmente prefiro o Apache 2.0.50, por isso vou usá-lo nesta solução. Se você tem experiência como Apache 1.3.x, fique a vontade em usá-lo, senão:

Removendo Apache 1.3:

# removepkg apache-1.3.31-i486-2

O OpenSSL versão 0.9.7.d, GnuPG 1.2.4, MySQL 4.0.20 e Perl 5.8.4 (e modulo perl Digest::MD5) já vêem instalados por padrão (instalação FULL) no Slack 10.

Instalação do Apache 2.0.50

# cd /usr/local/src
# wget http://apache.usp.br/httpd/httpd-2.0.50.tar.gz
# tar xvzf httpd-2.0.50.tar.gz
# cd httpd-2.0.50
# ./configure --enable-ssl --enable-cgi --enable-suexec --enable-so
# make
# make install


O Apache será instalado no diretório /usr/local/apache2, os arquivos de configuração ficarão na pasta usr/local/apache2/conf.

Módulos Perl

Os módulos usados pelo NoCat para esta solução são:
  • Net::Netmask
  • DBI
  • DBD::mysql
  • Digest::MD5

Se você deseja usar outro tipo de autenticação, consulte a documentação do NoCat. Várias tecnologias são suportadas: IMAP, LDAP, SAMBA, PAM, RADIUS, etc.

A primeira vez que você invocar o CPAN do Perl, ele solicitará algumas configurações do sistema e da localidade, basta responder N que ele usará a configuração padrão. Necessário estar conectador.

# perl -MCPAN -e shell
cpan> install Bundle::CPAN (ENTER para todas as perguntas)
cpan> install DBI
cpan> install DBD::mysql
cpan> install Digest::MD5
cpan> install Net::Netmask
cpan> exit

Atenção, as linhas seguintes testam os módulos e não podem retornar erros:

# perl -MDBI
# perl -MDBD::mysql
# perl -MDigest::MD5
# perl -MNet::Netmask


Agora o Perl está completo para o NoCat.

Ativar MySQL

Vamos ativar o MySQL, pois no Slackware 10.0 ele se encontra instalado, porém alguns ajustes são necessários para colocá-lo rodando.

Como nós iremos usar o MySQL apenas para armazenar algumas centenas de logins, não convém reservar recursos desnecessários. Por isso será usado o arquivo de configuração my-small.cnf (ver documentação do MySQL).

Em seguida criaremos um banco de dados para o NoCatAuth e um login de acesso para ele.

# cp /etc/my-small.cnf /etc/my.cnf
# mysql_install_db
# chown mysql.mysql /var/lib/mysql /var/run/mysql -R
# chmod +x /etc/rc.d/rc.mysqld
# /etc/rc.d/rc.mysqld start


Conferindo se o servidor MySQL esta de pé:

# nmap localhost -p 3306
Starting nmap 3.50 ( http://www.insercure.org/nmap/ ) at 2004-07-26 16:02 Interesting ports on localhost (127.0.0.1):
PORT STATE SERVICE
3306/tcp open mysql
Nmap run completed - 1 IP address (1 host up) scanned in 0.331 seconds

Ajustando a senha do root mysql:

# mysqladmin password senhadorootmysqlaqui
# mysql -u root -psenhadorootmysqlaqui

mysql> CREATE DATABASE nocat;
mysql> GRANT ALL PRIVILEGES ON nocat.* TO nocat@localhost IDENTIFIED BY "senhadonocat" WITH GRANT OPTION;
mysql> FLUSH PRIVILEGES;
mysql> exit

Substitua "senhadorootmysqlaqui" pela senha de root do MySQL, cuidado com esta senha. Faça o mesmo com "senhadonocat".

NoCAT

Todos os códigos necessários para construção do nosso servidor, tanto Auth como Gateway estão no mesmo pacote:

# wget http://nocat.net/download/NoCatAuth/NoCatAuth-0.82.tar.gz # tar -xvzf NoCatAuth-0.82.tar.gz # cd NoCatAuth-0.82

NoCAT Gateway

# make PREFIX=/usr/local/nocat/gw gateway

NoCAT Auth

# make PREFIX=/usr/local/nocat/authserv authserv

Chave PGP

A chave de PGP deve ser a mesma para ambas as instâncias para que elas se comuniquem, portanto, vamos criá-la no authserv e copiá-la para o gateway. Não defina uma senha para esta chave.

# make PREFIX=/usr/local/nocat/authserv pgpkey
# cp /usr/local/nocat/authserv/trustedkeys.gpg /usr/local/nocat/gw/pgp


Pronto, a instalação já está feita, agora vamos configurar tudo, começando pelo Apache.

Configuração

Apache

Criando certificados:
Como não temos dinheiro sobrando para comprar um certificado da VeriSign (pelo menos eu não), vamos ser nossa própria entidade certificadora. Crie um diretório na pasta raíz do Apache com o nome ssl:

# cd /usr/local/apache2
# mkdir ssl
# cd ssl


Vamos criar os certificados:

# openssl genrsa -out nocat.key 1024

Criar assinatura do certificado digital:

# openssl req -new -key nocat.key -out nocat.csr

Certificado auto-assinado:

# openssl x509 -days 365 -req -in nocat.csr -signkey nocat.key -out nocat.crt

Configurando HTTPS e CGI-BIN

Edite o arquivo /usr/local/apache2/conf/httpd.conf e procure onde está a definição da pasta virtual cgi-bin:

ScriptAlias /cgi-bin/ /usr/local/apache2/cgi-bin/

AllowOverride None
Options None
Order allow,deny
Allow from all


Altere para o exemplo abaixo:

ScriptAlias /cgi-bin/ /usr/local/nocat/authserv/cgi-bin/

SetEnv PERL5LIB /usr/local/nocat/suthserv/lib
SetEnv NOCAT /usr/local/nocat/authserv/nocat.conf

Edite o arquivo /usr/local/apache2/conf/ssl.conf e preencha com o seguinte conteúdo:

SSLRandomSeed startup builtin
SSLRandomSeed connect builtin

Listen 443
AddType application/x-x509-ca-cert .crt
AddType application/x-pkcs7-crl .crl
SSLPassPhraseDialog builtin
SSLSessionCache dbm:/usr/local/apache2/logs/ssl_scache
SSLSessionCacheTimeout 300
SSLMutex file:/usr/local/apache2/logs/ssl_mutex

DumentRoot /usr/local/apache2/htdocs
ServerName authserv.dominio.com.br:443
ServerAdmin contato@patrick.eti.br
ErrorLog /usr/local/apache2/logs/erros_log
TransferLog /usr/local/apache2/logs/access_log
SSLEngine on
SSLCipherSuite ALL:!ADH:!EXPORT56:RC4+RSA:+HIGH:+MEDIUM:+LOW:+SSLv2:+EXP:+eNULL
SSLCertificateFile /usr/local/apache2/ssl/nocat.crt
SSLCertificateKeyFile /usr/local/apache2/ssl/nocat.key

SSLOptions +StdEnvVars


SSLOptions +StdEnvVars

SetEnvIf User-Agent .*MSIE.* \
nokeepalive ssl-unclean-shutdown \
downgrade-1.0 force-response-1.0
CustomLog /usr/local/apache2/logs/ssl_request_log \
%t %h %{SSL_PROTOCOL}x %{SSL_CIPHER}x \%r\ %b


NoCatAuth

Vá até o diretório /usr/local/nocat/authserv, edite o arquivo nocat.conf e confira os parâmetros:

Verbosity 10
PGPKeyPath /usr/local/nocat/authserv/pgp
HomePage http://www.dominio.com.br/
DocumentRoot /usr/local/nocat/authserv/htdocs

# configuraçao do banco de dados MySQL
# reveja a ativação do mysql para conferir a senha que você configurou
DataSource DBI
Database dbi:mysql:database=nocat
DB_User nocat
DB_Passwd senhadonocat

Os demais parâmetros devem permanecer inalterados, a menos que você saiba o que esta fazendo. Na ativação do MySQL, nós apenas criamos o banco de dados nocat, agora vamos criar as tabelas. No pacote de instalação do NoCat há uma pasta etc e dentro dela um arquivo chamado nocat.schema. Execute o seguinte comando para criar a estrutura de tabelas:

# mysql -u root -psenhadorootmysqlaqui nocat < /usr/local/src/NoCatAuth-0.82/etc/nocat.schema

MUITO IMPORTANTE:
Já vi varias perguntas na internet sobre um erro:

"INTERNAL SERVER ERROR"

Quando se solicita a autenticação. Como o nocat auth roda por meio de cgi, o usuario que acessa os arquivos em /USR/LOCAL/NOCAT/AUTHSERV/* é o usuario do Apache. Para que esse erro desapareça, dê o domínio desses arquivos para o Apache, execute:

# chown apacheuser.apachegroup /usr/local/nocat/authserv -R
# chmod 700 /usr/local/nocat/authserv -R


LEMBRANDO QUE: apacheuser e apachegroup deverá ser substituído pelo usuário e grupo que roda o Apache.

NoCatGateway

Edite agora o arquivo nocat.conf do diretório /usr/local/nocat/gw e confira os parâmetros abaixo:

Verbosity 10
GatewayName Domínio Gateway - Autenticação

# se o gateway também faz NAT, você deve usar Passive, senão, use Captive
GatewayMode Passive
LoginTimeout 86400
HomePage http://www.dominio.com.br/
DocumentRoot /usr/local/nocat/gw/htdocs

# Coloque no parâmetro abaixo, os logins que tem livre acesso separados de espaço
# ou comentar essa linha para que todos autentiquem
Owners contato@patrick.eti.br tol83@bol.com.br

# ip da interface em contato com rede wireless ou rede local
AuthServiceAddr 192.168.10.1
AuthServiceURL https://$AuthServiceAddr/cgi-bin/login
LogoutURL https://$AuthServiceAddr/logout.html

# interface com ip roteável na internet
ExternalDevice eth0

# interface com usuários (192.168.10.1)
InternalDevice eth1

# apenas este DNS poderá ser usado na rede dos usuários, caso
# este parâmetro não seja definido, serão liberados os endereços
# dos servidores no arquivo /etc/resolv.conf
# lembre-se de colocar os mesmos servidores na configuração do DHCPD
DNSAddr 192.168.10.1 192.168.150.56

Os demais parâmetros devem permanecer inalterados, a menos, é claro, que você saiba o que está fazendo.

Configurando DHCPD

Para que os usuários não tenham que trocar nas configurações de rede dos seus computadores, vamos configurar o gateway para servir isso para eles. Edite o arquivo /etc/dhcpd.conf e preencha com as linhas:

ddns-update-style none;
default-lease-time 600;
max-lease-time 600000;
option broadcast-address 192.168.10.255;

# desativar dhcpd para a interface 192.168.150.21
subnet 192.168.150.0 netmask 255.255.255.0 {}
subnet 192.168.10.0 netmaks 255.255.255.0 {
range 192.168.10.100 192.168.10.200;
option routers 192.168.10.1;
option domain-name "dominiowireless.com.br";
option domain-name-servers 192.168.10.1;
}
# mais informacoes: # man dhcpd.conf

Opcional: Servidor DNS

É recomendável que você tenha um servidor DNS no gateway, portando adiciona o NAMED na inicialização do Slackware 10.0:

# chmod +x /etc/rc.d/rc.bind

Iniciando o servidor

Por motivos de segurança, já que o Apache 1.3 foi removido, desative o rc.httpd com o comando:

# chmod -x /etc/rc.d/rc.httpd

Crie o arquivo /etc/rc.d/rc.nocat com o seguinte conteúdo:

#!/bin/sh
NC=/usr/loca/nocat/gw
export PERL5LIB=$NC/lib:$PERL5LIB
export NOCAT=$NC/nocat.conf
case "$1" in
start)
echo "Starting the NoCat gateway ..."
$NC/bin/gateway
;;
stop)
echo "Stopping the NoCat gateway ..."
killall gateway 2>/dev/null
restart)
$0 stop
sleep 1
$0 start
;;
*)
echo "Usage: $0 {start|stop|restart}"
exit 1
esac

E torne-o executável:

# chmod +x /etc/rc.d/rc.nocat

Execute os comandos abaixo para rodar o DNS e o MySQL na inicialização do sistema:

# chmod +x /etc/rc.d/rc.bind
# chmod +x /etc/rc.d/rc.mysqld


Vamos agora configurar o servidor para levantar os serviços de forma organizada. Edite o arquivo /etc/rc.d/rc.local e certifique-se de que há as seguintes linhas (adicione as que faltarem):

# iniciando servidor DHCPD
dhcpd

# iniciando apache com suporte a SSL
If [ -x /usr/local/apache2/bin/apachectl ]; then
/usr/local/apache2/bin/apachectl startssl
fi

# iniciando NoCatGateway
/etc/rc.d/rc.nocat start

Agora, reinicie o servidor. Seu gateway autenticado está pronto!

Créditos:
Patrick Brandao
http://www.vivaolinux.com.br/artigos/verArtigo.php?codigo=1338&pagina=1

Estrutura do Iptables

Introdução: o que esperar deste artigo

Ao contrário de outros artigos e tutoriais sobre iptables, este não se dispõe a ensinar sua sintaxe, como construir regras e como bloquear este ou aquele tipo de pacote. Artigos meus futuros poderão passear por este caminho, muito embora já se tenha muito material na Internet sobre isto.

Ele se destina a explicar a origem dos termos "tabelas" do iptables, o que é e para que servem as tabelas nat, filter e mangle. Onde, ou seja, em qual tabela se deve colocar as regras para este ou aquele objetivo.

Este artigo aproveita também para esclarecer algumas diferenças interessantes, como para que serve o REJECT e qual a diferença dele para o DROP?

Algumas definições serão relevantes e merecem serem citadas antes da leitura:

Quando falo de "nível" no artigo (ex: nível de Enlace) estou me referindo ao modelo de camadas TCP/IP, composto por apenas QUATRO camadas e não SETE como no modelo OSI. No modelo TCP as camadas são o ENLACE, onde se tem na sua imensa maioria o padrão de rede Ethernet como referência:
  • O nível de REDE, responsável pelo roteamento, onde se tem o IP na sua versão 4 como mais significativo;
  • O nível de TRANSPORTE, com seus pacotes UDP e TCP, dentre outros;
  • O o nível de aplicação, com os protocolos FTP, HTTP, etc;
  • O nível FÍSICO não faz parte do modelo de camadas TCP/IP, pois é restrito ao fabricante da placa.

Em termos de nomenclatura geralmente se generaliza chamando tudo de pacote. Porém, quando se quer deixar mais específico em qual nível estamos lidando, pode-se se usar a nomenclatura "quadro" para o nível de Enlace, "datagrama" ip para o nível de rede e "pacote" para o de transporte (sendo que o TCP muitas vezes usam a palavra "segmento"). Na aplicação o que tem são dados.

Mas como o iptables atua em princípio nas camadas de rede, ip de origem ou de destino, e na de transporte (porta origem e destino), o pacote pode ser considerado, neste artigo, como um termo genérico (OBS: é certo que o iptables também permite atuar no enlace e até mesmo na aplicação, com os devidos módulos adicionados).

Por onde passa um datagrama

O iptables, presente no Linux a partir do kernel 2.4, usa o conceito de "ganchos" do netfilter, permitindo avaliar um datagrama em alguns pontos dentro do kernel.



Conforme pode ser observado na Figura 1, um datagrama IP dentro do kernel do Linux passa por várias etapas. Basicamente um datagrama IP é de um dentre três tipos:
  1. O datagrama chegou por uma de suas interfaces, o nível de enlace viu o seu mac address no quadro ethernet. Contudo o datagrama não é destinado ao número IP desta máquina. Se a máquina não for configurada para atuar como roteador, o datagrama é descartado. Se a máquina estiver atuando como roteador, o datagrama deve ser roteado por ela.
  2. O datagrama chegou por uma de suas interfaces, o nível de enlace viu o seu mac address no quadro ethernet e ele é destinado ao IP desta máquina, logo deve ser entregue a um de seus processos locais (se for HTTP, por exemplo, deve ser entregue ao apache).
  3. O datagrama IP foi gerado por um de seus processos locais, por um cliente de email por exemplo, e deve ser repassado a outra máquina.
    Cada datagrama passa por uma etapa de roteamento, onde o kernel decide para onde ele vai. Nesta etapa é que são consultadas, se for o caso, as tabelas de roteamento. Os do tipo 1 devem serem roteados para fora da máquina, que no caso deve estar atuando como roteador, sendo que na etapa de roteamento o kernel decide qual o próximo ponto de rota que deve ser usada. Se for para o IP desta máquina, é o roteamento que verifica isto (isto é, recebe o datagrama, vê que é local e entrega ao nível de transporte, que irá repassá-lo ao processo correspondente).

    Da mesma forma, pacotes os gerados por processos locais também passam pelo roteamento para serem encaminhados. Logo, todos os datagramas passam, de uma forma ou de outra, pela etapa de roteamento.

    Caso ele precise ser repassado a outra máquina (somente se ela estiver atuando como roteador IP), a etapa de "repasse de pacotes" realiza as alterações necessárias, como a reescrita total do cabeçalho de enlace (trocando o MAC origem para o seu), atualização do TTL, etc. Evidente que isto após a decisão de roteamento, pois a escrita do cabeçalho de enlace leva em conta o destino.

Ganchos do netfilter

O netfilter introduziu "ganchos", pontos ao longo do ciclo de vida de um datagrama onde o mesmo pode ser avaliado por regras de firewall. A Figura 2 destaca estes pontos.



Pode-se observar pela Figura 2, que:
  • Um datagrama destinado ao processo local:
    • Pode ser capturado para avaliação ao entrar na Interface, pelo gancho 1, chamado pelo kernel de PREROUTING.
    • Pode ser capturado para avaliação pelo gancho 4, chamado pelo kernel de INPUT.

  • Um datagrama gerado por um processo local:
    • Pode ser capturado para avaliação pelo gancho 5, chamado pelo kernel de OUTPUT.
    • Pode ser capturado para avaliação pelo gancho 3, chamado de POSTROUTING.

  • Um datagrama que esteja apenas passando por esta máquina, não gerada e não destinada ao ip ela:
    • Pode ser capturado para avaliação ao entrar na Interface, pelo gancho 1, chamado pelo kernel de PREROUTING.
    • Pode ser capturado para avaliação pelo gancho 2, chamado pelo kernel de FORWARD.
    • Pode ser capturado para avaliação pelo gancho 3, chamado de POSTROUTING.


Por existirem estes ganchos e a possibilidade de avaliar um datagrama e tomar decisões de firewall sobre ele nestes pontos, o iptables introduz filas de regras (listas) nestes pontos. Cada gancho pode possuir um ou mais conjuntos de regras.


Enfim, as tabelas

Ao todo são três as tabelas mais importantes do iptables:
  • filter
  • nat
  • mangle

A tabela filter deve conter apenas regras que determinam se um pacote deve ser aceito ou não. Nesta tabela não é possível colocar regras para alterar algum parâmetro, como ip ou porta.

A tabela nat serve para realizar operações de tradução sobre IP e/ou porta, tanto de origem como de destino, muito embora também permita recusá-lo (não será abordada neste artigo).

Por fim a tabela mangle serve para realizar alterações mais profundas e bizarras nos pacotes, como alterar o TTL, TOS, etc (não será abordada neste artigo).

As ações operadas sobre um pacote basicamente podem ser recusá-lo ou deixá-lo passar, mas o iptables possui várias maneiras de "recusar" e ainda permite realizar logs. Como dito, operações de alteração de pacotes, seja IP ou porta, não pode ser realizada na tabela filter, mas sim na nat ou mangle.

Em termos de filtragem, para impedir que pacotes que não queremos entrem na máquina, é a tabela filter que nos interessa.

A tabela filter

Entram nesta tabela o conjunto de regras com finalidades gerais, como bloquear, negar, realizar logs. As regras existentes nesta tabela não tem poder de alterar as configurações dos pacotes. Basicamente todas as regras de filtragem estão nesta tabela, pois ela é de uso geral.

Para inserir uma regra em uma lista, pode-se usar -A para APPEND, inserindo-a no final, ou -I para INSERT, inserindo-a NO INÍCIO (a sintaxe profunda das regras não é o foco deste artigo).

A tabela filter possui três conjuntos de regras, ou seja, três listas sendo que cada uma delas está associada a um gancho:
  • INPUT: esta fila de regras recebe este nome justamente por ser aplicada aos pacotes na posição do gancho 4. Logo apenas os pacotes destinados ao ip da máquina atual serão avaliados por eventuais regras existentes nesta tabela. Sintaticamente para inserir regras nesta lista usa-se os parâmetros de iptables (o comando está incompleto):

    iptables -t filter -A INPUT [regra]

  • OUTPUT: esta fila de regras recebe este nome justamente por atuar no gancho 5 (também chamado pelo kernel de OUTPUT). Logo serão avaliados pelas regras presentes nesta lista apenas os pacotes originados por processos locais da máquina. Sintaticamente para inserir uma regra nesta lista usa-se o comando:

    iptables -t filter -A OUTPUT [regra]

  • FORWARD: esta fila de regras recebe este nome justamente por atuar no gancho 2 (também chamado pelo kernel de FORWARD). Logo serão avaliados por estas regras os pacotes que estão sendo repassados por esta máquina, não são para ela e nem originados por ela. Sintaticamente para inserir uma regra nesta lista usa-se o comando:

    iptables -t filter -A FORWARD [regra]

A tabela filter é a tabela básica do iptables e são em suas listas que devem ser inseridas regras de filtragens gerais, que não são complexas, como proibir ou permitir ips, portas, etc. Na Figura 3 pode ser observado a atuação do conjunto de regras desta tabela sobre os ganchos.



Cada regra pode realizar uma determinada ação ao pacote (representado graficamente por -j), sendo que na filter as seguintes ações são possíveis:
  • REJECT: o pacote, uma vez que casou com a regra, é rejeitado. Demais regras existentes são ignoradas e o pacote definitivamente já teve seu destino selado: será descartado. Se for usado REJECT o remetente do pacote será avisado com uma mensagem de erro, normalmente um ICMP de "porta inatingível" (mas o iptables permite ao usuário mudar o tipo de retorno se ele quiser). Em termos de segurança pode não ser interessante devolver uma resposta ao remetente, pois isto iria inevitavelmente dar a conhecer a ele o número IP do firewall.
  • DROP: o DROP tem o mesmo efeito do REJECT e a mesma aplicação, com a diferença de que não é retornado nenhuma mensagem de erro ao remetente (ele não saberá o que aconteceu com o pacote). Em se tratando de FORWARD (repasse) pode ser conveniente usar DROP ao invés de REJECT para que um possível atacante não saiba o IP do firewall que rejeitou o seu pacote. Mas isto deve ser bem analisado, pois se o remetente não souber o que ocorreu, ele poderá ficar ainda tentando várias vezes até desistir por time out. Se o teu firewall é o roteador principal, não tem porque escondê-lo, pois ele é um ponto de rota mesmo. Mas se ele for transparente (atuando em modo bridge), aí pode ser uma boa estratégia não dar nada ao remetente.
  • ACCEPT: Aceita um pacote, deixando que ele siga o seu percurso. O ACCEPT, como os anteriores, causa o término de teste nesta tabela, ou seja, o pacote já foi aceito e não será mais testado por nenhuma outra regra posterior nesta tabela (mas ainda poderá ser testado por outra tabela, como pela mangle ou nat, por exemplo. Acredito que o único exemplo onde isto possa acontecer é ele ser ACEITO no filter FORWARD, mas ser DROPADO no nat POSTROUTING, já que o nat tem também o poder de realizar DROP).
  • LOG: realiza um log deste pacote no sistema (geralmente no /var/log/syslog ou messages). Ao contrário das demais ações (DROP, ACCEPT e REJECT), ao aplicar um log no pacote o mesmo ainda continua sendo testado pelas regras seguintes da fila atual. Uma ação do tipo LOG não causa o término do teste. Caso seja do interesse do usuário ele pode configurar uma mensagem de log que aparecerá nos logs facilitando a análise.

Conclusão

Este artigo teve como motivação apenas mostrar a estrutura interna do iptables e não ensinar a escrever regras sintaticamente corretas e poderosas.

Através do entendimento correto de como o iptables atua, pode-se determinar onde e de que forma pacotes devem ser filtrados:
  • Se estou configurando um firewall pessoal, na minha máquina desktop ou no meu servidor, sendo que ela não é roteador: as regras para filtrar o conteúdo deverão ir na tabela filter, na lista INPUT para filtrar o que está entrando na minha máquina, destinada ao IP dela e na tabela filter, lista OUTPUT para os pacotes gerados pela minha máquina.
  • Se estou configurando um firewall de rede, que filtra todo o conteúdo que entra e sai da minha rede para o mundo: as regras irão todas na tabela filter, lista FORWARD. Para representar o destino (está entrando ou está saindo) posso usar o parâmetro -i interface ou -o interface (o FORWARD é o único que permite -i e -o na mesma regra, querendo dizer, se estiver entrando por aqui e saindo por ali...).
  • Se meu firewall é um firewall de rede, mas também possui alguns serviços nele, como proxy ou de email, devo inserir regras tando no filter INPUT/OUTPUT para definir a política dele enquanto servidor, como no filter FORWARD para proteger minha rede. Regras adicionadas no filter FORWARD não atuam sobre pacotes destinados ao número IP de uma máquina.
  • Se desejo alterar características de ip ou porta, trocando-as, devo usar a tabela nat e para isto preciso aguardar o próximo artigo. :-D

Créditos:
Elgio Schlemer
http://www.vivaolinux.com.br/artigos/verArtigo.php?codigo=6834&pagina=1